Valorizando nossos heróis! |
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Uma homenagem à prova do atletismo que mais trouxe medalhas olímpicas para o nosso povo.
O atletismo é, historicamente, uma das modalidades esportivas que mais trouxe medalhas olímpicas para o Brasil.
Tais medalhas vieram, especialmente, na prova do salto triplo, na qual nosso País tem grande tradição.
Uma tradição solidamente construída por atletas de origem humilde como Adhemar Ferreira da Silva (bicampeão olímpico: Helsinque, 1952 e Melbourne, em 1956); Nelson Prudêncio (prata em 1968 na Cidade do México e bronze nas olimpíadas de Munique, 1972) e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, que ganhou dois bronzes, em Montreal (1976) e Moscou (1980), tendo sido detentor do recorde mundial por dez anos após o salto histórico de 17m89, em 1975, nos Jogos Pan-Americanos realizados na Cidade do México.
Hoje, o cetro do salto triplo brasileiro está com Jadel Gregório, que tem vencido, de forma convincente, várias provas de alto nível no Exterior. Antes dele, porém, nosso País pôde contar com o brilho e a dedicação de outro homenageado no Memorial, o campeoníssimo Anísio Sousa Silva, hexacampeão do Troféu Brasil.
Na categoria feminina, como deixar de destacar a presença forte de Esmeralda de Jesus - detentora da melhor marca do mundo da prova em 1985 - e de Maurren Maggi, uma das atletas mais importantes dos nossos dias?
Mas, curiosamente, esses verdadeiros ícones do nosso atletismo são mais reconhecidos lá fora, no Exterior, do que no Brasil.
Adhemar, por exemplo, era tratado com tapete vermelho em qualquer quadrante do mundo, exceto em sua própria terra. Exemplo disso é a solicitação que a Federação Paulista de Atletismo fez à Câmara de Vereadores de São Paulo, há cinco anos, no sentido de dar o nome dele à avenida Casa Verde, principal artéria de uma região em que viveu e cresceu. Até hoje, a reivindicação não mereceu maior atenção.
Pensando nisso, a FPA decidiu criar o Instituto Memórial do Salto Triplo, uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo de resgatar a memória desses personagens heróicos, originados num País de macunaímas.
Segundo o presidente da FPA, José Antonio Martins Fernandes (Toninho), o Instituto irá amealhar, para seu acervo cultural, com sede na Rua Joinville, 307, na Vila Mariana, tudo o que diz respeito aos atletas homenageados. “Através de doações ou aquisições, pretendemos ilustrar o Memorial com troféus, medalhas, fotos, imagens sonoras e de vídeo, reportagens, livros, selos, títulos honoríficos, além de objetos pessoais”, revela Toninho, que aproveita para já solicitar material para o Instituto aos leitores do Jornal Atividade Física. “Quem possuir dados relevantes sobre os atletas, pode entrar em contato, com a FPA, no telefone 3884.1211”, informa.
Vale ressaltar que o Memorial do Salto Triplo terá, também, finalidade cultural, esportiva, além de visar o bem-estar e o desenvolvimento social, de educação e de saúde.
“Promoveremos exposições permanentes na sede e, também, itinerantes, levando a história, intimamente ligada à evolução do atletismo brasileiro a diversas regiões do Estado de São Paulo e do Brasil. Pretendemos, ainda, editar livros e folhetos que contenham informações sobre nossos triplistas famosos. Através do Instituto projetos serão criados e programas esportivos, sociais, educacionais e de saúde desenvolvidos”, conclui Toninho, que presidirá o Memorial.
Bases sólidas
O Memorial do Salto Triplo está muito bem alicerçado juridicamente. Após registro no 1º Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo, foi expedido, no último 2 de outubro, pelo Ministério da Fazendo, o CNPJ da entidade. No momento, o Ministério da Justiça analisa solicitação para enquadrar o Memorial como uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público.
Depoimentos
Nelson Prudêncio – “Quero expressar a minha satisfação pela criação do Instituto Memorial do Salto Triplo, cujo objetivo é o de resgatar a história da prova que mais rendeu medalhas olímpicas para o atletismo brasileiro e, também, de elaborar palestras, exposições itinerantes e programas sociais. Em minha opinião, a seqüência de títulos conquistados na prova não configura uma tradição, mas o resultado de muito trabalho. Devemos sempre refletir que o passado está presente em nossas vidas, mas não pode estar à frente do presente”. |
Anísio Silva – “Fico muito satisfeito com o reconhecimento da FPA. A memória precisa mesmo ser sempre resgatada para que os mais jovens tenham bons exemplos e possam analisar a conjuntura de uma época, quando as coisas eram muito mais difíceis do que hoje, tanto no aspecto de infra-estrutura quanto no de tecnologia do esporte”. |
Esmeralda de Jesus - (detentora da melhor marca do mundo do salto triplo em 1985) – “Acho a iniciativa maravilhosa. O salto triplo brasileiro tem tradição. E ela deve ser resgatada, reconhecida, difundida e mantida no futuro. Fico grata com a lembrança de meu nome como homenageada”. |
Maurren Higa Maggi – “É um orgulho fazer parte do elenco de homenageados pelo Instituto Memorial do Salto Triplo. Ainda mais quando se está ao lado de tanta gente boa como os lendários e saudosos Adhemar Ferreira da Silva e João Carlos de Oliveira, além do Anísio, do Jadel e da grande Esmeralda de Jesus. A iniciativa é ótima”. |
Jadel Gregório –“Tomei conhecimento do Memorial. Acho que o salto triplo brasileiro merece tal distinção e fico muito feliz porque, através dele, muita gente carente poderá ser ajudada”. |
Primeira contribuição
O Instituto Memorial do Salto Triplo acaba de receber a sua primeira contribuição documental. Ela veio de Santos, enviada por Giuseppe Biagini, e data de janeiro de 1957. Trata-se da revista Maquis que, em suas páginas internas, elenca as personalidades que mais se destacaram em 1956. No quesito esportes, em 1º lugar, com 36 votos, lá está o triplista Adhemar Ferreira da Silva, que acabara de ganhar sua segunda medalha de ouro olímpica, em Melbourne. Em segundo lugar ficou Zizinho, com 18 votos. Ele mesmo, o "Mestre Ziza", maior ídolo de Pelé... A direção do Memorial agradece ao senhor Giuseppe e solicita a familiares e ao grande público que faça contribuições do gênero, aumentando um acervo que será visto por gente de toda a parte de São Paulo e do Brasil.
FPA tem o compromisso de ajudar no processo de real cidadania do povo brasileiro. |
A constatação é do presidente da Federação Paulista de Atletismo, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho. Nessa entrevista, ele aborda os programas sociais que a entidade vem desenvolvendo para incentivar a prática da modalidade e buscar condições efetivas de inserção social.
A FPA está preocupada com a inserção social da coletividade?
A pergunta é oportuna, pois proporciona a nós, da FPA, a possibilidade de destacarmos vários passos que vêm sendo dados, com firmeza, na direção de uma sociedade mais justa e de oportunidades e que serão facilitados com a transformação do Instituto Memórial do Salto Triplo em OSCIP. Nossa equipe está desenvolvendo vários deles ao mesmo tempo, num trabalho de fôlego.
Quais são esses projetos?
Temos o do Atletismo Escolar, que vem sendo desenvolvido em escolas públicas através de um método baseado em atividades recreativas, esportivas e cognitivas, de atletismo adaptado. Ele quer explorar as habilidades motoras e psicomotoras da criança na assimilação de movimentos coordenados e típicos das principais provas ligadas ao atletismo como andar, correr, saltar, arremessar e lançar. Nesse projeto, estamos em plena sintonia com a Confederação Brasileira de Atletismo que, através de seu presidente, Roberto Gesta de Melo, sonha em edificar o pentatlo nas escolas, dando oportunidade de prática de esporte nos estabelecimentos de ensino e, também, de revelar novos valores. Tenho muito carinho por essa idéia, pois sempre defendi que o eixo do desporto nacional deveria estar nas escolas e não apenas nos clubes. Pois bem. Associado a um outro projeto, o do Atletismo nas Escolas, a FPA pretende aumentar o número de praticantes da modalidade.
Mais projetos?
O Atletismo nos Municípios. Através dele, nossos profissionais dão todas as orientações necessárias para a montagem de estruturas de difusão e fomento de representações esportivas nas cidades. O Interior sempre foi um grande celeiro de atletas de ponta. A nossa Federação, sem esquecer da Capital, está procurando interiorizar mais o atletismo paulista, disseminando sua prática e, com isso, abrindo caminhos e oportunidades à juventude. Um passo importante, que acaba incentivando esse projeto, é o investimento nas agremiações que trabalham a base da modalidade. Em conjunto com a Confederação Brasileira de Atletismo, a FPA está atuando no Programa Caixa de Apoio a Centros de Descoberta de talentos. Esse programa já vem dando incentivos a oito clubes, escolhidos através de qualificação em ranking.
Tem, ainda, o projeto das favelas que, aliás, já foi noticiado pelo jornal Atividade Física, certo?
É outro programa de grande apelo social que estamos desenvolvendo sob a competente supervisão do professor Anísio Silva, um dos maiores triplistas da nossa história, lá na favela de Heliópolis, considerada a segunda maior do País. No campo de futebol de Heliópolis, um expressivo número de crianças está participando de atividades recreativas que, na verdade, representam a base do atletismo: andar, correr, saltar, arremessar, lançar. Em breve, as crianças deverão receber o incentivo da visita de grandes atletas como Jadel Gregório e Maurren Higa Maggi e outros. Eles contarão para a criançada a dura trajetória de vida que os levou ao mais alto lugar do podium no Brasil e no Exterior.
Mas tantos programas destinados aos mais carentes não acaba por excluir gente de outras camadas sociais?
Costumo dizer que é muito difícil preencher uma lacuna de mais de um século de falta de investimentos e de uma política pouco efetiva para o esporte no nosso País. Em outra entrevista que concedi ao Jornal Atividade Física, citei números do IBGE que provam que o percentual de investimento é, ainda, mínimo. Temos, portanto, que trabalhar nos pontos mais emergenciais. E será um trabalho de diversas gerações, acredite. Mas vale ressaltar que a FPA também tem programas destinados a outros públicos. É o caso, por exemplo, do Atletismo Competição. Através dele, nossos profissionais se dirigem aos clubes de alto rendimento para ministrar palestras técnicas, explicar a utilização do Dartfish, que demarca no computador a performance do atleta para posterior correção de movimentos, além de demonstrar a necessidade de aplicações odontológicas. Nessa esfera, é necessário ter a tecnologia de ponta como aliada.
Para finalizar, fale um pouco sobre as corridas de rua...
Desde que começamos o processo de, juntamente com os organizadores, profissionalizar as provas do gênero, temos observado resultados expressivos e crescentes. Em 2001, apenas 11 provas foram realizadas com o devido alvará da Federação. Nesse ano de 2006, certamente atingiremos cerca de 250 eventos. Importante salientar que isso só foi possível graças ao constante aperfeiçoamento do relacionamento da FPA com todos os segmentos envolvidos no processo. A Corrida de Rua é a prática esportiva que mais cresce no Brasil. E esse crescimento deve ser feito em bases seguras, priorizando os interesses de cada atleta participante, especialmente nas questões relativas à infra-estrutura e saúde. Conseguimos estabelecer um ótimo nível de relacionamento com os organizadores. Diria, até, que de cumplicidade. Juntos, estamos fazendo um trabalho digno de nota, não só no Brasil como perante aos países de primeiro mundo.
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FPA.
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