Atletismo evolui, com planejamento e profissionalismo
O atletismo brasileiro vai fechando o ano de 2007 com sua missão mais do que cumprida, coroando de êxito o esforço planejado pela Confederação Brasileira de Atletismo e as Federações nos últimos quatro anos.
Com vistas ao Pan do Rio, foi realizado em São Paulo, no ano de 2004, um ambicioso plano para que nossa delegação pudesse quebrar seu recorde histórico de medalhas num Pan-Americano, que havia sido obtido com as 17 medalhas ganhas em Winnipeg, Canadá.
No Rio de Janeiro, o trabalho, que envolveu campings específicos e intercâmbios permanentes de nossos atletas no exterior, resultou em 23 medalhas, seis a mais do que a meta inicial, sendo nove de ouro.
Só os atletas radicados em São Paulo, sob a influência da Federação Paulista de Atletismo, faturaram 18, ultrapassando Winnipeg.
Jadel Gregório, Maurren Maggi, Fabiana Mürer, Fábio Gomes, Juliana dos Santos e a equipe de revezamento 4x100 metros, garimparam seis ouros na inesquecível campanha do Pan do Rio, provando que São Paulo é a locomotiva do Brasil também no atletismo, com seus atletas filiados representando mais de 70% dos convocados.
A estatística, extremamente positiva, é fruto de muito trabalho. O Calendário de Atividades do atletismo paulista pode ser equiparado ao dos grandes centros mundiais. São 70 competições anuais de pista e campo sob a tutela da FPA e outras 30 realizadas por terceiros, mas com a chancela técnica da entidade. Isso sem contar as mais de 250 provas de rua que acontecem no período no Estado, envolvendo mais de 500 mil inscrições, tanto de atletas de ponta como os que participam para melhorar condicionamento físico e, assim, tem uma vida mais saudável e melhor.
O foco principal das atenções do atletismo nacional estava concentrado nos Jogos Pan-Americanos, o que, de certa forma, relegou o Mundial de Osaka, no Japão, a um segundo plano, em razão do ano atípico que caracterizou 2007.
Mesmo assim, a participação da delegação brasileira em Osaka demonstrou uma preparação física, técnica e de infra-estrutura altamente profissional.
Tive a honrosa oportunidade, a mim confiada pela CBAt, de chefiar a delegação do Mundial. Após longa viagem, para o outro lado do mundo, seguimos fielmente o prévio planejamento de adaptar nossos atletas ao fuso horário, com diferença de 12 horas para Brasília.
Na cidade de Kobe, a Comissão Técnica desenvolveu importantes trabalhos de desintoxicação e adequação às necessidades impostas pelo clima onde seria disputado o Mundial.
Louve-se o importante trabalho executado pelos técnicos, médicos, fisioterapeutas e nutricionistas, que conseguiram deixar nossos atletas em condições de disputar uma competição muito dura, frente aos melhores do mundo, logo após vencer o desafio do Pan do Rio.
Mesmo diante das fortes exigências de um calendário impiedoso, o Brasil realizou um de seus melhores mundiais.

Com Jadel Gregório subindo ao pódio do salto triplo com a medalha de prata em Osaka, nossos atletas marcaram presença em várias finais: Jessé Farias de Lima (salto em altura); Fábio Gomes da Silva (salto com vara): 4x100 masculino (com Vicente Lenilson, Rafael Ribeiro, Basílio Moraes e Sandro Viana); Maurren Maggi (salto em distância), Keila Costa (triplo e salto em distância) e Fabiana Mürer (salto com vara).
Outros atletas também conseguiram bons resultados, como José Teles de Souza (maratona), Carlos Chinin (que chegou a ocupar o sétimo lugar no decatlo, antes de sair da disputa com uma torção no pé esquerdo) e Zenaide Vieira (3.000 m com obstáculos).
A consistente participação no Mundial prova o acerto dos projetos desenvolvidos pela CBAt, de médio e longo prazos.
É imperativo, todavia, pensar na renovação. Nossos ídolos atuais não são eternos. E aí reside a minha preocupação, pois os resultados observados na categoria juvenil ficam aquém dos obtidos nas categorias menores.
Isso porque, ao final do período de adolescência, o atleta, geralmente de origem humilde, tem que fazer uma opção de vida. E tal opção, na maioria das vezes, faz com que ele abandone a modalidade para adentrar no competitivo mercado de trabalho, dele tentando tirar o sustento da família.
Cabe, portanto, a elaboração de um programa para evitar tal êxodo.
Em São Paulo, a FPA firmou convênio com o Governo do Estado, através de sua Secretaria de Esportes, no sentido de implantar pólos de descentralização pelo Interior e, com isso, levar infra-estrutura adequada à descoberta de novos valores, tendo como ponto de partida o sucesso do Projeto Futuro, fincado na Capital.
O governador José Serra, inclusive, já anunciou, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, o programa Bolsa Atleta, dentro do objetivo de solidificar o atletismo como meio de vida, atendendo a uma reivindicação de seu secretário de Esporte, Claury Santos Alves da Silva.
O município de São Paulo também acena com iniciativas importantes, especialmente no que diz respeito à construção de novas pistas de atletismo na cidade, tirando a do Ibirapuera da orfandade, graças à iniciativa do secretário de Esportes da cidade, Walter Feldman, devidamente incentivada pelo prefeito Gilberto Kassab. O panorama futuro do nosso atletismo, portanto, revela-se favorável, indicando que a luta de todos os que historicamente abraçaram a modalidade será sempre e cada vez mais vitoriosa.