Corrida de Rua é coisa séria!

A última edição da Maratona de Chicago, considerada uma das mais importantes do calendário mundial, apresentou números trágicos.

Exatos 315 atletas que dela participaram tiveram que ser assistidos por equipes de emergência. Desse montante, 145 sofreram internação hospitalar, muitos apresentando estado grave.

Durante a prova, um policial militar, de 35 anos, morreu vítima de ataque cardíaco.

A organização não levou em consideração o excesso de calor e a alta umidade relativa do ar.

Quando se apercebeu do perigo que envolvia os mais de 35 mil atletas inscritos, decidiu interromper a competição, num momento em que a temperatura atingia os 31 graus centígrados, com 86 por cento de umidade e a prova já completava a duração de 3h30, com 4 mil abandonos.

 “Tentamos bloquear a corrida, mas os atletas atravessavam as barreiras saltando por cima das motos dos polícias, desconhecendo o risco de morte. Simplesmente não queriam parar”, disse Joe Roccasalva, porta-voz dos bombeiros de Chicago, responsáveis pela segurança da maratona.

Pois bem. Decidi iniciar esse artigo contando o episódio, triste, de Chicago, para justificar a severidade de regras e critérios que a Federação Paulista de Atletismo, em conjunto com os organizadores de corridas de rua em todo o estado bandeirante, determina.

Muitas vezes a Comissão de Corridas de Rua e o próprio Departamento, relacionado à atividade, da FPA, recebem críticas contundentes de participantes e entidades afins quanto ao que consideram um alto índice de exigências para a devida liberação de alvará necessário antes da realização de determinado evento.

De forma democrática, costumamos ouvir tais segmentos à exaustão, muitas vezes acolhendo sugestões e, em outras, impondo condições.

Tal imposição é entendida, por alguns, como autoritária. Mas exemplos como os de Chicago, e até mesmo de Roterdã, na Holanda, quando a situação chegou a fugir ao controle dos organizadores, comprovam que as atitudes normalmente tomadas estão corretas.

A corrida de rua é a prova do atletismo, e, quiçá, do desporto brasileiro, que mais vem crescendo nos últimos anos.

O número de inscrições contabilizado pela FPA bate recorde atrás de recorde a cada ano.

Podemos afirmar que, hoje, o conjunto de realizações do gênero no estado de São Paulo supera a casa do meio milhão de pessoas inscritas.

Óbvio que ficamos extremamente satisfeitos ao testemunhar que expressiva parcela da população está vendo, na prática desportiva, uma forma de melhoria de qualidade de vida e, também, de inserção social.

Mas os fatos aumentam, na mesma proporção, o grau de responsabilidade de todos os envolvidos no princípio organizativo das competições, seja na questão técnica, quanto na médica, de infra-estrutura e orientação segura de métodos.

Acreditamos no diálogo como a principal arma de convivência democrática. Todavia, estamos lidando com coisa séria, que é a vida do ser humano.

É por isso que tornamos a repetir a frase que norteia as atividades da FPA: “Não faça de sua corrida uma aventura!”, pois se o que aconteceu em Chicago, cidade de um país de primeiro mundo, tivesse ocorrido no Brasil, seríamos, todos, motivos de chacota internacional, dado ao nosso perfil de terceiro mundo.

Mantive conversas a respeito com os secretários de Esporte do Município e do Estado de São Paulo, Walter Feldman e Claury Santos Alves da Silva, respectivamente, deles obtendo total concordância quanto ao fato de que o esporte é coisa séria e sua administração deve ser responsável e cidadã.

Dirigentes e políticos de apurada sensibilidade, os dois secretários não estão medindo esforços, como executivos, para incrementar ainda mais as realizações de corridas de rua, dentro de princípios éticos e conseqüentes.

Vale ressaltar que tanto o governo quanto a prefeitura de São Paulo têm dado especial atenção ao atletismo, trabalhando, em conjunto com a FPA, para dar maior acesso à modalidade mais nobre das Olimpíadas.

O pensamento dos dois poderes públicos passa pela descentralização da prática e pela reforma e construção de diversos complexos esportivos, tanto na Capital quanto no Interior.
Juntos, de forma mobilizada e, acima de tudo, eficaz e administrativamente responsável, chegaremos aos objetivos delineados. Estou certo.

José Antonio Martins Fernandes
Presidente da FPA

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