BOLETIM INFORMATIVO DA
FEDERAÇÃO PAULISTA DE ATLETISMO
Edição 013 - Janeiro/2007
Presidente da FPA quer incentivo fiscal na base do esporte brasileiro

Nessa entrevista, o presidente da FPA, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho, fala sobre a Lei de Incentivo Fiscal para o Esporte, recentemente aprovada pelo Governo. “Espero que os recursos cheguem à base, onde é feito o trabalho de garimpagem de novos valores”, afirma.


Como você vê a Lei de Incentivo ao Esporte assinada pelo presidente Lula?

É um avanço significativo. Um oásis no meio de um deserto que nós, que militamos no esporte, percorremos sem descanso por várias gerações. Vamos ver como se dará a sua aplicabilidade. Digo isso porque o sistema brasileiro é elitista. Jamais se preocupou com a base, onde o atleta merece uma oportunidade e é cuidado com muito carinho até deixar de ser promessa e passar a obter resultados expressivos e espaço na mídia.

E qual é a base do desporto brasileiro?

A base é constituída pelas Federações e Clubes. São eles, em toda e qualquer modalidade e nos mais diversos Estado do País, que exercem a árdua tarefa de levar o esporte para a sociedade enquanto lazer, recreação e competição. Aí, onde se dá o garimpo, a verba, seja ela pública ou privada, tem dificuldade de circular. É como um organismo que, por falta de oxigênio em sua extremidade começa a gangrenar. Recentemente tivemos a entrega do prêmio Brasil Olímpico. Foi uma festança, com direito a tudo, do bom e do melhor. Mas repare nas fotos. Nelas, você não encontrará a base. Nelas, você só encontrará o topo da pirâmide. O cardinalato do esporte brasileiro. Registro que não sou contra o evento. Muito pelo contrário, acho a iniciativa louvável. Mas ela demonstra, na prática,  o quanto o Brasil está distante dos profissionais que efetivamente arregaçam as mangas e dão início ao histórico dos premiados.

Como corrigir o problema?

Fazendo uma distribuição de verba mais democrática. Nós, que convivemos na base, sabemos que a situação está muito difícil. Qualquer dirigente de federação ou clube vai confirmar que o cenário é de falência. Tanto é que está cada vez mais difícil executar o trabalho de renovação de talentos. Para melhor explicitar, ressalto a parábola bíblica do gigante de pés de barro. Tem a cabeça de ouro, o corpo de prata, o organismo feito de materiais nobres, mas os pés, a plataforma, são frágeis como a argila. A verdade é que as colunas mestras, fincadas  no chão, não suportam o luxo. Portanto, espero que a nova Lei venha sanar esse estado de coisas. E torno a enfatizar: Não se trata de vestir a melhor roupa e participar da festa. Ninguém quer isso.  O que se reivindica é, apenas, uma distribuição de valores mais equânime.

E a Federação Paulista de Atletismo. Vai bem das pernas?

Posso afirmar que sim, na medida em que tem sua sede própria e suas dívidas estão muito bem equacionadas. A FPA é uma entidade que trabalha pelo bem estar da coletividade desde 1924. Ao longo do tempo, com administrações idôneas, fez por merecer tal solidez. Mas é preciso ressaltar, também, que nossa tarefa não é fácil. Precisamos lutar muito para manter o nosso Calendário de Atividades, sem deixar de realizar uma única prova. Como presidente, passo a maior parte do meu tempo nas secretarias de esporte, tanto estadual quanto municipal, para angariar recursos. Há que se entender que a FPA não tem – e nunca teve – dinheiro carimbado, aquele com o qual você pode contar no fim do mês. As negociações são diárias, a busca por recursos, permanente.

E os Poderes Públicos ajudam?

Se não ajudassem, muito do que fazemos não seria possível. Mas que ninguém pense que é só ir lá e pegar a verba. A FPA, a cada evento, precisa fazer uma exposição de motivos extremamente minuciosa. E, mesmo aprovado, o dinheiro demora a chegar. Mas sou testemunha de que os poderes públicos vivem em pleno estado de democracia. Têm visão social e se empenham pela melhor qualidade de vida da população. Mas a burocracia, muitas vezes emperra processos. E, no Brasil, a burocracia tem vida própria. Ninguém é culpado pela morosidade na tramitação de projetos. Mas quem está esperando precisa ter paciência e estrutura.

E agora, como fica a FPA com a mudança de nomes e equipes nas duas secretarias de esporte de São Paulo?

Não é de hoje que enfrentamos o problema da descontinuidade administrativa. Quem entra, quer saber, por si, tudo o que é feito e como é feito. Se fosse eu, agiria do mesmo jeito. Só que tal descontinuidade, infelizmente resulta em morosidade. Ainda bem que a FPA, ao longo do tempo, conseguiu estabelecer reconhecidos critérios de credibilidade e transparência.

E quanto à nova sede da FPA. Está pronta para a inauguração?

Nosso pessoal já está trabalhando nela. Só que a inauguração, que seria em 31 de janeiro, terá que ser adiada. Isso porque a reforma de adequação do prédio, onde antes funcionava uma gráfica, ainda precisa de arremates finais. Entra aí, também, a questão do dinheiro. Não podemos dar passo mais longo do que a perna. A reforma prossegue, só que um pouco mais lenta. No momento mais adequado realizaremos a cerimônia.
A história recontada!

Instituto Memorial do Salto Triplo é reconhecido como OSCIP, resgata a importância de atletas que levaram o Brasil a freqüentar os mais altos lugares dos pódios internacionais, e acelera programas sociais destinados à coletividade.

Grande notícia para o desporto nacional! No último dia 10 de janeiro foi publicado, no Diário Oficial da União, o despacho da Secretaria Nacional de Justiça transformando o Instituto Memorial do Salto Triplo em OSCIP.

A íntegra do texto, histórico, é essa: "Considerando o disposto na Lei 9.790, de 23 de março de 1999, e na Portaria nº 361, de 27 de julho de 1999, defiro o pedido de qualificação como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público do Instituto Memorial do Salto Triplo, com sede na cidade de São Paulo".

“Em prazo recorde, os profissionais ligados ao Instituto Memorial do Salto Triplo,  elaboraram seu estatuto, registraram-no em Cartório, conseguiram sua inscrição no CNPJ (MF) e, agora, a qualificação como OSCIP”, comenta o presidente da FPA, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho. “Dessa forma, a Diretoria da FPA está vendo a concretização de  mais um de seus sonhos”, diz.

Para Toninho, cabe ressaltar que a decisão do Governo brasileiro faz justiça ao atletismo,  uma das modalidades esportivas que mais trouxe medalhas olímpicas para o Brasil.

“A justiça fica ainda mais indiscutível quando se sabe que tais medalhas foram ganhas, especialmente, no salto triplo, prova na qual nosso País tem grande tradição”, raciocina.

Essa tradição foi solidamente erguida por atletas de origem humilde, que construíram sua carreira em São Paulo, como Adhemar Ferreira da Silva (bicampeão olímpico: Helsinque, 1952 e Melbourne, em 1956); Nelson Prudêncio (prata em 1968 na Cidade do México e bronze nas olimpíadas de Munique, 1972) e João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, (que ganhou dois bronzes, em Montreal (1976) e Moscou (1980), tendo sido detentor do recorde mundial por dez anos após o salto histórico de 17m89, em 1975, nos Jogos Pan-Americanos realizados na Cidade do México).

Hoje, o cetro do salto triplo brasileiro masculino está com Jadel Gregório, que tem vencido, de forma convincente, várias provas de alto nível no Exterior. Antes dele, porém, nosso País pôde contar com o brilho e a dedicação de outro homenageado no Memorial, o campeoníssimo Anísio Sousa Silva.

Na categoria feminina, como deixar de destacar a forte presença de Esmeralda de Jesus, nos anos 80, e  de Maurren Maggi, uma das atletas mais importantes dos nossos dias?

“O reconhecimento governamental corrige, a meu ver, um grave erro cultural, pois todos os atletas citados, em especial os mais antigos, são mais reconhecidos lá fora, no Exterior, do que no Brasil”, constata Toninho.

O presidente da FPA - e também do Memorial - ressalta que Adhemar Ferreira da Silva é, até hoje, um verdadeiro símbolo, tratado com tapete vermelho em qualquer quadrante do mundo.

“Há alguns anos, a FPA fez uma solicitação à Câmara de Vereadores de São Paulo, no sentido de dar o nome de Adhemar à Avenida Casa Verde, principal artéria de uma região em que o atleta viveu e cresceu. Até hoje, infelizmente, a reivindicação não mereceu maior atenção, fato que comprova a afirmação bíblica de que ninguém é profeta em sua própria terra”, analisa.

Foi pensando em resgatar tão rica história que a  FPA decidiu criar o Instituto, uma entidade sem fins lucrativos e que agora, como OSCIP, reunirá condições de enfatizar as causas sociais, através de projetos específicos, de interesse da coletividade.

Com sede na Rua Manoel da Nóbrega, 800, Paraíso, o Instituto irá amealhar, para seu acervo cultural, tudo o que diz respeito aos cinco atletas mencionados.

“Através de doações ou aquisições, pretendemos ilustrar o Memorial com troféus, medalhas, fotos, imagens sonoras e de vídeo, reportagens, livros, selos, títulos honorífico, além de objetos pessoais”, afirma Toninho. E antecipa: “Promoveremos exposições permanentes na sede da FPA e, também, itinerantes, levando a história, intimamente ligada à evolução do atletismo brasileiro a diversas regiões do Estado de São Paulo e do Brasil. Pretendemos, ainda, editar livros e folhetos que contenham informações sobre nossos triplistas famosos”, diz Toninho.

Agora, com status de OSCIP, o Memorial procura parceiros na iniciativa pública ou privada, tarefa que deverá ser facilitada pela Lei de Incentivo Fiscal recentemente promulgada pelo presidente Lula.

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